SANTO NATAL

 

 

Que festa é o Santo Natal?

“O Santo Natal é a festa instituída para celebrar a lembrança do nascimento temporal de Jesus Cristo” (São Pio X, Catecismo Maior).

 

Que nos ensina Jesus Cristo com as circunstâncias do seu nascimento?

“Com as circunstâncias do seu nascimento, Jesus Cristo ensina-nos a renunciar às vaidades do mundo e a apreciar a pobreza e os sofrimentos” (Idem).

 

O Natal de Jesus Cristo está cheio de sábias lições e de santos exemplos.

I. – Nas estalagens de Belém não houve lugar para Jesus, isto é, para seus pais, José e Maria. O mundo não quis receber a Jesus, porque Ele não é deste mundo e porque o mundo era indigno d’Ele.

II. – O berço de Jesus foi uma manjedoura, uma estrebaria, onde pastores pobres e humildes abrigavam os rebanhos...

A estrebaria bem representava o mundo, com todos os seus crimes e todas as suas baixezas.

Jesus, desde a sua entrada neste mundo, começou a dar sublimes lições das três virtudes básicas da vida cristã: humildade, pobreza e mortificação.

a. – Humildade é o remédio e corretivo da soberba e do desejo de submeter os demais. E Jesus disse: “Aprendei de mim, que sou humilde de coração”.

b. – Pobreza e espírito de pobreza, segundo o Evangelho – eis aí – o remédio específico contra a ambição da riqueza e dos bens temporais. E o Senhor preceituou aos discípulos: “Vende o que tens, dá-o aos pobres, vem e segue-me”.

c. – Mortificação dos sentidos e privação do conforto material e do regalo dos sentidos são meios para combater e vencer a sensualidade. E o Mestre pronunciou esta sentença: “Toma a tua cruz e segue-me”.

Desde o presépio, nas circunstâncias humildes em que veio a este mundo, Jesus começou a dar aos homens estes ensinamentos, iniciando assim o reino da luz contra as trevas, da verdade contra o erro.

No Santo Natal celebramos o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo; mas infelizmente, o aniversariante é deixado de lado por milhões de católicos.

A única preocupação de milhões de católicos é de trocar presentes, preparar banquetes, viajarem, etc., sendo que a alma dos mesmos permanece mergulhada nas trevas.

Católico, não existe Natal para aquele que vive no pecado mortal; Nosso Senhor e Satanás não podem habitar juntos em uma alma.

Milhões de católicos mentem no dia de Natal. Aquele que deseja Feliz Natal para o próximo, mas está em pecado mortal, mente; quem está com o demônio na alma não pode desejar Feliz Natal.

Católico, seja sábio! Aproxime-se de um sacerdote o quanto antes e faça uma sincera confissão; não comunitária, mas sim, auricular. Expulse o demônio do seu coração enquanto é tempo, e transforme o mesmo numa belíssima manjedoura para o Menino Deus.

 

 

CATÓLICO, APROXIME-SE DA GRUTA DE BELÉM

 

 

Uma gruta – um presépio – um menino sobre palhinhas – uma virgem perfeitíssima e um varão justo de joelhos, em adoração – anjos cantando: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade! – eis o quadro de Deus feito homem!

Noite bendita! Hora solene, a mais solene que houve, nem há de tornar a ver o mundo! Momento único na história da humanidade!

Noite bendita, em que nasceu o Sol de Israel! Hora solene, em que apareceu na terra o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, revestido da natureza humana. Momento único, pois não conta o mundo outro assinalado por um fato semelhante!

Já não são os Anjos os únicos que têm a Deus consigo no céu: os homens o vêem nascido na terra.

Mistério incompreensível! Quem nasce? – Deus! O que sempre existiu, o que fez aparecer no céu as estrelas, no campo as flores, quis também ter o seu dia de natal! Que amor!

Ao ver aquele Menino e ao ver nele o Filho de Deus, vêm nos ferir os ouvidos aquelas palavras de São João: “De tal maneira amou Deus o mundo, que lhe deu o seu Unigênito Filho” (Jo 3, 16).

Como nasce? Como homem! Com lágrimas nos olhos, com dores no tenro corpinho, com frio em todos os membros, com falta de tudo! Nasce como servo e não como rei, nasce na humilhação, nasce com toda a sua divina grandeza encoberta.

Nasce no tempo o que foi gerado desde toda a eternidade, feito carne o Verbo divino, feito mortal o Eterno!

Nasce a Vida sujeita à morte, a Luz escurecida com as trevas dos nossos pecados, o Sol eclipsado com o véu da nossa natureza!

Nasce Infante o Criador do universo, envolvido em faixas a Riqueza do céu, reclinado num presépio o que tem seu trono sobre os serafins!

Como nasce? Abandonado!

É Senhor e ninguém o respeita! É Deus e ninguém o adora! É Rei e ninguém lhe vai prestar homenagem e render vassalagem! É o Salvador do mundo, e quem busca n’Ele a salvação?

Nasce pobre porque deseja que nós o recebamos em nossa casa, que o vistamos, que o abriguemos do frio, que lhe preparemos um berço.

Onde nasce? – Numa gruta úmida e fria, num alpendre desabrigado, onde falta o conchego do lar doméstico, um bercinho fofo, o asseio – tudo!

É isto possível? Não será um sonho tudo que estou vendo? – Oh! Não! É a verdade pura, é uma realidade!

Disse o apóstolo São João que o verbo divino veio ao mundo e os seus não O receberam (Jo 1, 11). E como o haviam de receber e adorar como seu Deus, se Ele veio debaixo de tão rigoroso incógnito, tão disfarçado e tão semelhante aos homens?

Algum motivo havia de ter Deus para assim nascer. E teve-o! Deus não queria vir ao mundo com o estrondo que acompanha e soleniza o nascimento dos grandes da terra. Se Ele viesse cercado com toda essa grandeza, os humildes receariam chegar-se à sua presença, e até seria odiado por aqueles que olham para os grandes como para inimigos. Ora, o seu fim era atrair a todos os homens ao seu amor, assim grandes como pequenos, a fim de a todos procurar a salvação. Por isso fez-se menino, fez-se pobre, fez-se humilde, para que todos se aproximassem d’Ele.

- Quando nasce?

- A horas mortas da meia-noite, quando todos dormiam, quando ninguém o esperava, quando os homens, cansados uns do trabalho, outros dos divertimentos, se entregavam ao sono.

Não esperou que fosse dia para nascer, a fim de não ser visto e conhecido. Nasceu de noite para que despertando a humanidade com o raiar da aurora, encontraste já nascido o Sol de Israel, que lhe vinha trazer a salvação.

Nasceu nas trevas, porque vinha ser a luz do mundo, o Sol esplendoroso que vinha dissipar as sombras que passavam sobre os homens desde que o paraíso se fechou!

Nasceu de noite, para mostrar que era bem escura a noite em que vivia todo o gênero humano, e que essa noite ia ter o seu fim com o amanhecer do solene dia da redenção.

Nasceu de noite; mas ainda assim quis ter quem o adorasse. Foi aos pastores, que vigiavam os seus rebanhos, que os Anjos anunciaram a vinda do Salvador. Não foram à corte de Herodes, nem aos grandes da Judéia, nem aos Césares de Roma, porque, ainda que para todos nascia, eram os pobres e os humildes os que mais agradavam a seus olhos.

-Por que nasce?

-Porque nos ama! Nasce por nós, porque deseja a nossa felicidade, porque nos quer em seu reino fazer participantes de sua mesma glória.

Nasce por nós a fim de que nós renasçamos para Ele, morrendo para o mundo, para o nosso amor próprio, para as nossas faltas.

Nasce pobre para que nós, com seu exemplo, nos animemos a deixar as riquezas e comodidades da vida.

Nasce no mais completo abandono, para que nós tenhamos por melhor que o nosso nome seja desconhecido, do que ande na boca de todos e para que vendo-nos desprezados dos homens, nos consolemos com seu exemplo.

Nasce na humilhação, para que aprendamos a calcar aos pés o orgulho.

Estas são as grandes lições da escola de Belém. Antes de sair dela, despede-te do teu Mestre, que, no mais profundo silêncio, te deu tão salutares documentos.

Vou deixar-vos, Deus menino! Ah! Se eu pudesse aqui estar dia e noite a olhar para Vós e para tudo ver neste mundo senão este espetáculo nunca visto, que é a admiração dos Anjos e o pasmo dos homens!

E que presente posso eu dar-Vos neste dia do vosso nascimento? Ainda que me desse todo inteiro, não daria tanto como Vós Vos destes a mim. Vós, para Vos dardes a mim, tomastes o que era meu; eu, para me dar a Vós, quero tomar o que é vosso. Para isso hei de despir-me do que há em mim e falta em Vós, que é a riqueza, a comodidade, a soberba; e vestir-me do que há em Vós e falta em mim, que é a humilhação, o abandono, o sofrimento. Ajudai-me, Deus meu, a levar a efeito esta minha empresa!  

Católico, não jogue mais um Santo Natal fora; quem sabe esse será o último Natal de sua vida!

 

 

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