Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

05 – Cruz: Troféu das almas fiéis

 

 

O caminho da cruz é o caminho da verdadeira alegria e da paz. Não basta sofrer, o sofrimento deve ser aceito por amor a Deus… somente assim o amor é perfeito: “O sinal mais certo para saber se uma pessoa ama a Jesus Cristo é, não tanto o sofrer, mas o querer sofrer por amor dele” (Santo Afonso Maria de Ligório).

É grande sabedoria sofrer com mansidão e aceitação; porque aquele que sofre murmurando não faz progresso na vida espiritual e corre grande risco de se condenar: “As mesmas misérias levam alguns para o céu e outros para o inferno” (Santo Agostinho).

O católico que não aceita a cruz é caricatura de cristão; esse ainda não descobriu a verdadeira face de Jesus Cristo, porque o caminho do céu é carpetado com cruzes: “Para ganhar o céu todo sofrimento é pouco” (São José Calazans), e: “Quem abraça as cruzes que Deus lhe manda não as sente” (Santa Teresa de Jesus).

Aquele que não aceita a cruz rejeita um tesouro precioso e vive na miséria espiritual… esse não alcançará o cume da perfeição, mas viverá sempre na planície da espiritualidade: “Se se conhecesse o valor da cruz, não seria tão evitada e rejeitada. Só poderíamos encontrar prazer na cruz, repouso só na cruz e não nutriríamos outro desejo senão o de morrer em seus braços, desprezados e abandonados de todo o mundo. Mas para isso é necessário que o puro amor seja o santificador e o consumador de nossos corações, como o foi o de nosso bom Mestre” (Santa Margarida Maria Alacoque).

O católico que busca a cruz e a aceita com amor percorre o caminho da santidade; ao passo que, quem foge da mesma, foge de um grande bem e sua vida se transforma numa desgraça: “Se deve considerar como grande desgraça nesta vida o não ter nada a sofrer” (São Vicente de Paulo).

O melhor remédio para tornar a cruz leve é aceitá-la com amor. Aquele que olha para a cruz com ira, cega o coração e coloca na alma a inquietação.

O católico que não aceita o sofrimento é ignorante e covarde… sua vida é um tormento contínuo e seu interior está sempre em guerra, porque é seu desejo viver sem sofrer e chegar ao céu sem passar pelo caminho da cruz… mas isso é impossível: “Querer amar a Deus sem sofrer por seu amor é ilusão” (Santa Margarida Maria Alacoque).

A árvore da cruz é frondosa e na sua sombra repousa nossa alma imortal. É nessa árvore que colhemos frutos preciosos que alimentam nossa pobre alma, cuja doçura só se encontra nela e não na vida cômoda e regalada.

Feliz do católico que beija a cruz e a carrega com amor; esse vive mergulhado na paz e seu coração está sempre alegre, porque na cruz o mesmo encontra a verdadeira felicidade que o mundo não pode oferecer: “A cruz, pois, será a minha consolação, a minha doçura e a glória minha” (Santa Gema Galgani).

Feliz do católico que sofre amando e que abraça a cruz com amor e aceitação, porque o seu coração nunca conhecerá a inquietação: “A situação dos justos na terra é de sofrer amando” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Aquele que passou pela escola da cruz e aceitou todas as lições dificilmente se perderá; para este a perseverança será mais segura do que para quem não sentiu o peso da cruz nos ombros.

O católico que abraça com amor a cruz de Cristo não vacila na fé nem busca uma vida tranquila e ociosa; mas procura sempre o mais difícil com a intenção de agradar ao divino Esposo de sua alma imortal. Ele não serve a Nosso Senhor pela metade, mas se entrega todo inteiro e sem reserva: “Muitos seguem a Jesus até ao partir do pão, poucos, porém, até ao beber do cálice da sua paixão… Muitos amam a Jesus quando não há adversidade” (Tomás de Kempis).

Cultivar uma amizade quando tudo vai bem é fácil, difícil é conservá-la no meio das dificuldades. É na provação que descobrimos se a amizade é verdadeira ou falsa.

Na vida espiritual não é diferente: amar a Nosso Senhor quando tudo vai bem é muito fácil, mas continuar amando-O no meio das cruzes é prova de um amor verdadeiro: “Meu coração anda sempre sedento de sofrer em meio dos meus contínuos padecimentos e minha alma sofre angústias muito grandes por ainda não poder separar-se do corpo… Tudo me aflige e atormenta por não poder amar unicamente meu divino amor…” (Santa Margarida Maria Alacoque).

Quem deseja ser totalmente de Deus não deve trilhar o caminho fácil e largo, mas deve carregar a cruz com alegria, convicção e viver no Calvário ao pé da cruz, porque esse é o lugar das almas fortes: “Portanto, uma pessoa que deseja ser toda de Deus deve estar resolvida a procurar nesta vida não os prazeres, mas a acolher com amor o sofrimento” (São João da Cruz).

A maior fortuna aqui na terra não consiste em possuir bens materiais, e sim, em sofrer por amor a Deus: “Toma, pois, a tua cruz, segue a Jesus e chegarás à vida eterna” (Tomás de Kempis).

O católico que não carrega sua cruz não pode ser seguidor de Jesus Cristo, porque é impossível encontrar a Nosso Senhor fora da cruz: “Procuro-te e te encontro sempre sobre a cruz” (Santa Gema Galgani).

A cruz de Nosso Senhor é nosso consolo; sem ela, nossa vida torna-se vazia e triste.

Não queremos outro caminho fora da cruz porque esse é que nos leva ao céu.

 

Pe. Divino Antônio Lopes FP(C)

Anápolis, 26 de maio de 1999