23 - Cristo ressuscitado, encantador de almas

 

 

“Maria estava junto ao sepulcro, de fora, chorando” (Jo 20, 11).

Ó Maria Madalena, tu não és aquela pecadora que vivia a seduzir os homens?

Tu não és aquela mulher que passava noites e noites a serviço do mundo, do demônio e da carne?

Ó Maria, tu não és aquela mulher da qual Nosso Senhor expulsou muitos demônios?

Sim, tu és aquela mulher que seduzia os homens, mas agora conquista-os para o Senhor Onipotente.

Tu és aquela mulher das noitadas, mas agora passas as noites em oração.

Tu és aquela mulher que possuía muitos demônios, mas agora é toda de Jesus Cristo.

Ó Maria Madalena, porque essa mudança? Está claro que a Luz Eterna “passou” na sua vida, e você escancarou as portas para Ela, e assim, as trevas desapareceram.

Ó alma apaixonada! Ó Maria de Magdala! O seu amor por Cristo é grande e a sua fidelidade é extraordinária.

E agora tu choras do lado de fora do túmulo. Por que choras, ó Maria Madalena?

Sente vontade de voltar para o mundo? O desânimo aninhou no seu coração? Está com a fé abalada? Pensa que tudo foi ilusão?

Não! Nada disso! Por que então choras do lado de fora do túmulo? “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram” (Jo 20, 13).

Sim, Maria Madalena, quem encontrou Cristo encontrou a verdadeira felicidade… quem o encontrou não sente mais atrativo pelas coisas passageiras desse mundo… quem encontrou a sua verdadeira Face jamais o esquece.

Agora, o seu coração está vazio das trevas e cheio da verdadeira Luz… Luz que suaviza, que aquece, que brilha, que consola…

Tu disseste: “Levaram o meu Senhor”. Não disse senhores… os senhores do mundo… os senhores da vida de pecado… os senhores para quem tu vendias o corpo… esses não são mais lembrados, porque agora tu encontraste o verdadeiro Senhor, aquele que enche a sua alma da verdadeira felicidade, da paz mais pura…

Agora, tu não choras mais pelos amores deixados no mundo; mas sim, pelo verdadeiro Amor, aquele Amor que expulsou da sua alma vários demônios e colocou na mesma a paz que os antigos amores não podiam dar.

Ó Maria Madalena, no seu coração, agora, não há mais espaço para os amores desse mundo; mas sim, somente para o Amor Eterno.

Tu encontraste o verdadeiro Amor, e não quer perdê-lo, porque quem o possui “é rico de todos os bens” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Tu choras porque o seu amor é verdadeiro… quem ama pensa na pessoa amada, não desvia o pensamento para as coisas da terra… quem ama o Eterno não se sente bem colocando o coração naquilo que hoje está vivo e amanhã já não existe.

Tu não choras de saudade dos demônios que estavam em sua alma; mas sim, chora de amor pelo Senhor que te libertou.

Quão grande é a diferença do amor dos amores do mundo com o Amor que te ama com um amor infinito!

O amor dos amores passa como o vento e trás amargura para a alma; enquanto que o amor infinito permanece para sempre.

Feliz de você, Maria Madalena, que chora pelo Amor Eterno… quem ama a Cristo Jesus possui a verdadeira riqueza… vive preso pelas algemas do seu amor… é um soldado que ama o seu rei… é um escravo que serve com alegria e disponibilidade o seu Senhor… quem ama a Jesus Cristo não ama o mundo; pelo contrário, vive de costas viradas para o mesmo.

Felizes lágrimas, ó Maria Madalena, felizes lágrimas as suas… lágrimas de amor, de gratidão… lágrimas de uma escrava em busca do seu Senhor.

São Francisco de Sales diz “que a santidade consiste em amar a Deus de coração”. Está claro que tu, ó Santa Maria Madalena, fostes “canonizada” em vida… o seu amor está “estampado” na Sagrada Escritura… é impossível duvidar do seu amor por Nosso Senhor.

Quem ama a Deus corre no caminho da perfeição… o amor une a criatura ao seu Senhor… tu amas verdadeiramente a Cristo e não quer se apartar d’Ele… o amor cresceu e a sua amizade com Nosso Senhor se estreitou… feliz união, união do amor, do verdadeiro amor.

Ó Maria Madalena, o seu amor é verdadeiro… tu rompeste com o passado, abandonou os falsos amores para ficar com o verdadeiro Amor… quem ama não divide o coração.

O amor a Deus nunca diz basta… por isso o seu coração se tornou uma “chama”… “chama” que arde sem se apagar… “chama” permanente.

 

Pe. Divino Antônio Lopes FP(C)

Anápolis, 15 de outubro de 2006