Infância e juventude
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Joseph Ratzinger quando criança,
em
imagem reproduzida do acervo
do museu que funciona na
casa da família
(foto: Fernando Scheller) |
Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn,
uma pequena vila na Baviera, na Alemanha, filho de um comissário de
polícia do Reich. Seu pai era um inimigo amargo do Nazismo, crendo
que este conflitava com a fé Católica. Em 1941, um dos primos de
Ratzinger, um menino de 14 anos de idade com síndrome de Down, foi
morto pelo regime nazista em sua campanha eugênica. Em 1937 seu pai,
então sexagenário, aposentou-se e a família mudou-se para Traunstein.
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A família, em 1938. Ratzinger está à esquerda.
Ao lado, o irmão Georg, a mãe Maria, irmã Maria e pai Josef |
Casa onde Joseph
Ratzinger nasceu em 1927, Marktl am Inn no sudeste da Bavária.
Quando fez catorze anos
(1941), Joseph teve de aderir à Juventude Hitlerista e, de acordo
com o seu biógrafo John Allen, não era um membro entusiasta. A
pertença à juventude hitlerista para crianças alemãs foi
oficialmente obrigatória desde 1938 até o fim do terceiro Reich em
1945. Ele
estudou de graça
por pertencer a esse
grupo, mesmo não participando de seus encontros, graças à amizade
com um professor de história filiado ao partido Nacional Socialista,
que lhe lecionou no seminário.
Serviço
militar
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Aos dezesseis anos, de uniforme militar |
Em 1943, com dezesseis
anos, foi incorporado no Exército Nazista Alemão, numa divisão da
Wehrmacht encarregada da bateria de defesa anti-aérea da fábrica da
BMW nos arredores de Munique. Fez treino básico de infantaria e foi
enviado para a Hungria, onde
colocou minas de defesa anti-tanque, até
fugir em Abril de 1944 (arriscando-se à pena de morte).
Ratzinger foi dispensado
do serviço militar em novembro de 1944 por motivos de saúde não
declarados, permanecendo até as forças aliadas invadirem a Alemanha.
Entrega-se e chega a ser preso por um curto período. Em 1945 foi
detido num campo aliado para prisioneiros de guerra em Ulm, sendo
libertado em Junho.
Vida
religiosa e acadêmica
Com o
irmão, Georg Ratzinger, Joseph entrou num seminário católico. Em 29
de Junho de 1951, foram ambos ordenados sacerdotes pelo Cardeal
Faulhaber, Arcebispo de Munique.
Ratzinger cardeal
A partir de 1952 iniciou
a sua atividade de professor na Escola Superior de Filosofia e
Teologia de Freising, lecionando teologia dogmática e fundamental. Em
1953, obteve o doutoramento em teologia com a tese "Povo e Casa
de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho". Sob a
orientação do professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen,
obteve a habilitação para a docência apresentando para isto
dissertação com título de "A teologia da história em São
Boaventura".
Lecionou ainda em Bonn
(1959 - 1963); em Münster (1963 - 1966) e em Tubinga (1966 - 1969)
onde foi colega de Hans Küng e confirmou uma certa visão
tradicionalista como oposição às tendências marxistas dos movimentos
estudantis dos anos 60. A partir de 1969, passou a ser catedrático
de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde
chegou a ser Vice-Reitor.
No Segundo
Concílio do Vaticano (1962 – 1965), Ratzinger assistiu como
peritus (especialista em teologia) do Cardeal Joseph Frings de
Colônia. Foi também quem apresentou a proposta da realização da
missa em língua local em vez do latim.
Recebeu o título de
doutor honoris causa das seguintes instituições: College of
St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984;
Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; Universidade Católica
de Lima, em 1986; Universidade Católica de Lublin, em 1988;
Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; Livre
Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999 e da
Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polônia) no ano
2000 e era ainda Membro honorário da Academia Pontifícia das
Ciências.
Ratzinger foi nomeado em
25 de março de 1977, pelo Paulo VI, Arcebispo de Munique e criado
Cardeal no consistório de 27 de junho de 1977 com o título
presbiteral de "Santa Maria da Consolação no Tiburtino".
Em 1981, foi apontado
como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé pelo Papa João
Paulo II, cargo que manteve até ao falecimento do seu antecessor.
Foi designado bispo-cardeal da Sé Episcopal de Velletri-Segni em
1993, e tornou-se Decano do Colégio Cardinalício em 2002,
tornando-se o bispo titular de Ostia.
Ratzinger foi durante o
período de João Paulo II como Papa um dos influentes integrantes da
Cúria Romana. Durante vinte e três anos (no período do Papa João
Paulo II), foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, (forma
como o Tribunal da Santa Inquisição passou a ser chamado a partir de
1908).
Era um velho amigo de
João Paulo II e compartilhava das posições ortodoxas do Papa. A sua
posição como prefeito da Congregação da Doutrina da Fé o colocava
como um dos mais importantes defensores da ortodoxia católica. O
ex-frade Leonardo Boff, brasileiro, um dos expoentes da Teologia da
Libertação, teve voto de silêncio imposto por Ratzinger em 1985
devido às suas posições políticas marxistas.
Ratzinger torna-se Bento XVI
Aos 78
anos, o Cardeal Joseph Ratzinger é eleito papa pelo colégio de
cardeais. O conclave findo em 19 de abril de 2005 foi um dos mais
rápidos da história, tendo apenas quatro votações e duração de
apenas 22 horas. No dia 24 de abril do mesmo ano tomou posse em
cerimônia na Basílica de São Pedro em Roma.
Eleição
Às 17h50 do dia 19 de
Abril de 2005 (hora do Vaticano), fumaça
branca saía da chaminé na
Capela Sistina. O nome do cardeal alemão foi anunciado cerca das
18h40 locais, da varanda da Basílica de São Pedro, onde o novo Papa
surgiu minutos depois usando o solidéu branco, aclamado por milhares
de pessoas que preenchiam a Praça de São Pedro, o coração do
Vaticano.
Anúncio (Habemus Papam)
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Annuntio vobis gaudio magno;
habemus Papam: |
Anuncio-vos com grande alegria; já
temos o Papa: |
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Eminentissimum ac
Reverendissimum Dominum, |
O Eminentíssimo e Reverendíssimo
Senhor |
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Dominum Josephum |
D. José |
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Sanctæ Romanæ Ecclesiæ
Cardinalem Ratzinger |
Cardeal da Santa Igreja Romana,
Ratzinger |
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qui sibi nomen imposuit
Benedicti Decimi Sexti. |
Que adotou o nome de Bento XVI. |
Primeira declaração
Em resposta a esse
anúncio, sua primeira declaração ao público, depois de eleito Papa,
segue:
"Queridos irmãos e
irmãs:
Depois do grande Papa
João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples
humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o fato de que o
Senhor sabe trabalhar e atuar com instrumentos insuficientes e,
sobretudo, confio nas vossas orações. Na alegria do Senhor
ressuscitado, confiados em sua ajuda permanente, sigamos adiante. O
Senhor nos ajudará. Maria, sua Santíssima Mãe, está do nosso lado.
Obrigado."
O nome
"Bento"
A escolha
do nome Bento é uma provável homenagem ao último papa que
adotou o nome Bento, que foi o italiano Giacomo della Chiesa, entre
1914 e 1922. Conhecido como o "Papa da paz", Bento XV tentou, sem
sucesso, negociar a paz durante a Primeira Guerra Mundial. O seu
pontificado foi marcado por uma reforma administrativa da igreja,
possuindo um caráter de abertura e de diálogo. Além do que o papa
sempre foi muito ligado espiritualmente ao mosteiro beneditino de
Schotten, perto de Ratisbona, na Baviera.
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