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20 de Março
Santo Ambrósio de Sena
Há uma meia dúzia de santos que levam este nome, querido e admirado pela gigantesca figura de santo, de bispo e doutor da Igreja que foi Santo Ambrósio de Milão no século IV. Contudo o bispo de Milão não tenciona empanar o brilho de outros santos que em sua homenagem lhe adotaram o nome. Hoje o martirológio comemora Santo Ambrósio de Sena, da Ordem dos Padres Dominicanos, insigne em santidade, pregação e milagres. Nasceu na célebre cidade medieval do centro da Itália, Sena, famosa por mais outros dois grandes santos: Catarina e Bernardino. Esta cidade abrigava naquele tempo famílias nobres que disputavam o poder temporal, entre as quais se destacava a família Sansedoni com seu soberbo castelo bem perto da sede municipal. Exatamente neste castelo nasceu Ambrósio em 1220. Mas seu nascimento não foi motivo de alegria para os pais, pois seu corpinho era deformado, de tal modo que inspirava horror. O orgulho da família sentiu-se ferido e a criança foi guardada escondida e, depois, entregue a uma ama que o devia conservar longe do castelo e no anonimato. A mulher que cumpria com o piedoso, mas ingrato ofício de ama, era mulher cheia.de fé. Certo dia levou o pequeno Ambrósio à igreja do Convento de Santa Maria Madalena na cidade de Sena onde fez fervorosas orações pela saúde da criança. Repetiu este gesto pelo ano todo, ao cabo do qual deu-se prodigiosa mudança. A criança deformada, rejeitada, aos poucos se tornou normal, perfeita, e, pela primeira vez, pôde voltar ao seu castelo na felicidade incontida dos pais. Ambrósio cresceu jovem sério, estudioso, virtuoso, mas sobretudo caridoso, de tal modo que transformou parte do seu palácio em uma espécie de hospital para os pobres e abandonados que não têm vez, como tinha sido o caso dele na primeira infância. Não surpreende, portanto, que, aos dezoito anos, Ambrósio decidisse entrar na Ordem Dominicana, recém-fundada por São Domingos. Não houve oposição alguma por parte dos pais, que consideravam o filho um milagre vivo. Recebido o hábito, Ambrósio se aplicou aos estudos por vários anos, primeiro em Sena, depois em Paris na escola do maior luzeiro de ciência daquele tempo, Santo Alberto Magno. Aí teve como colega e amigo a mente prodigiosa de Santo Tomás de Aquino. Os dois foram mais do que companheiros de estudos, foram amigos, confrades da mesma Ordem, animados pelo mesmo ideal de santificação e de zelo apostólico. A Providência, todavia, tinha planos diversos em relação aos dois: Tomás dedicou-se quase exclusivamente ao ensino, tornando-se o máximo teólogo de todos os tempos, ao passo que Ambrósio dedicou-se sobretudo à pregação obtendo sucessos grandiosos na Alemanha, na Hungria e na Itália. Foi exatamente na sua terra natal, a apaixonada e inquieta cidade de Sena, que Ambrósio obteve um dos maiores êxitos conseguindo a pacificação de partidos opostos. Ambrósio foi admirado e procurado por numerosos bispos e príncipes, inclusive por vários papas que lhe confiaram missões delicadas. Sua pregação, unida a uma profunda piedade e vida interior, calava no fundo dos corações, dando origem pela graça de Deus a numerosas conversões. Ambrósio faleceu em sua cidade natal, Sena, em sua missão de pregador. Enquanto pronunciava um ardente sermão, se lhe rompeu uma veia no peito e morreu de hemorragia interna. Os seus patrícios lhe prestaram honras nunca vistas na cidade, lhe tributaram logo o culto de veneração, e o quiseram eleger patrono da cidade, ao lado do padroeiro antigo, Santo Ansano.
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