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23 de Outubro São João de CapistranoVida agitada, atividade prodigiosa e rigor de penitência marcaram a existência de São João de Capistrano, um dos mais luminosos astros da santidade do século XV. João nasceu em Capistrano, perto de Nápoles, em 1386. Privilegiado por belos talentos, cursou os estudos jurídicos na Universidade de Perusa. Desempenhou brilhantemente o cargo de juiz de direito em Perusa e uma nobre família lhe ofereceu uma filha como esposa. Pouco depois, apesar da pouca idade, foi nomeado governador de uma cidade do centro da Itália, mas não teve muita sorte. Intrigas políticas e invasão armada de tropas napolitanas o levaram à prisão, onde sofreu uma forte crise religiosa. Os reveses convenceram-no da falsidade do mundo, da fragilidade e futilidade do que se chama felicidade terrena. Após a morte de sua esposa, tomou a resolução de abandonar o século e entrar numa Ordem religiosa. Para este fim, vendeu todos os seus bens, pagou o resgate de sua prisão, deu o resto aos pobres e pediu o hábito de São Francisco de Assis. O superior da Ordem, conhecendo os antecedentes de João, duvidando da constância do propósito, submeteu-o a provas duríssimas que ele superou com humildade e paciência. Tinha pouco mais de trinta anos quando fez emissão dos votos religiosos e, ordenado sacerdote, dedicou-se imediatamente ao apostolado da pregação com enorme sucesso. Nos quarenta anos de vida religiosa João absteve-se completamente do uso da carne, fazia contínuos jejuns, dava poucas horas ao descanso, e sujeitava seu corpo às mais duras mortificações. João de Capistrano viveu nos tempos difíceis do “grande cisma”, da peste negra, da guerra dos cem anos, da ameaça dos turcos contra a Europa e das tentativas de desunião no seio da própria Ordem Franciscana. João tornou-se amigo íntimo de São Bernardino de Sena e com ele muito labutou pelo afervoramento do espírito de São Francisco dentro de sua Ordem. Vários papas confiaram-lhe missões delicadas, como a de combater os hereges “Fraticelli” na Itália, de convencer os armênios, separados de Roma, a enviar representantes ao concílio unionista de Florença e de promover uma cruzada contra os turcos. “Pregando em latim para enormes multidões reunidas nas praças das cidades por onde passava, com só sua vista os homens se comoviam até às lágrimas, sem entenderem o que dizia. Ao dizer de um cronista, 120 estudantes em Leipzig e 130 em Cracóvia abraçaram a vida religiosa ao escutar-lhe um único sermão”. O último grande feito de João de Capistrano diz respeito a toda a Europa. Desde a queda de Constantinopla, em 1453, destruído o Império Cristão do Oriente, os turcos começaram a ameaçar a Europa através da Hungria. Em nome do Papa Nicolau V, João esteve na assembléia reunida em Budapeste, no ano de 1455, concitando os cristãos a tomarem as armas para defenderem a Europa. Sob o comando de Huníade, apesar da grande desproporção de soldados e de armas, deu-se a grande vitória do exército cristão junto a Belgrado. João foi a alma desta Cruzada, animando e assistindo espiritualmente os soldados. Três meses depois, consumido pelo trabalho, devorado por febre contínua, João de Capistrano veio a falecer em território croata, aos 23 de outubro de 1456. Apesar de homem de ação prodigiosa, de suas contínuas viagens através de toda a Europa, descalço, João foi também escritor fecundo. Suas obras que recolhem tratados de espiritualidade, assuntos morais e pregações, foram editadas em dezessete grandes volumes. Não foram estas atividades absorventes que levaram João de Capistrano às honras dos altares. Ele foi, em tudo, homem de Deus, frade profundamente asceta consigo mesmo, animado por profunda devoção ao santo nome de Jesus, característica do apostolado de São Bernardino de Sena. Ele fez da ação ato de amor e do amor, móvel de ação.
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