Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

 

31 de Outubro

Santo Afonso Rodrigues

A Companhia de Jesus, ao lado de grandes luzeiros de ciência e de ação apostólica, conta também com santos que foram simples e humildes irmãos. Um destes é o irmão leigo Santo Afonso Rodrigues.

Era ele natural de Segóvia na Espanha, onde veio à luz aos 25 de julho de 1532. Pertencia a uma família numerosa, mas profundamente cristã.

Tendo-lhe falecido o pai, Afonso teve que interromper seus estudos primários para tomar o lugar de chefe no comércio que o pai tinha aberto. Sua mãe insistiu para que ele se casasse, como de fato fez, unindo-se com uma boa donzela de nome Maria Soares, da qual teve dois filhos.

Como no comércio, Afonso não teve sorte no casamento. Em pouco tempo, faleceram os dois filhos e a própria esposa. Deu-se, então, na alma de Afonso uma grande crise espiritual.

Achava-se numa encruzilhada sem saber que rumo tomar para seu futuro. Rezou, penitenciou-se, confiou seu espírito a um diretor espiritual e chegou, enfim, a uma decisão: ser irmão leigo na Companhia de Jesus. Contra este seu plano levantaram-se numerosas dificuldades que pareciam insuperáveis, tais como: seus trinta e nove anos de idade, sua saúde fraca e a falta de estudos.

Quando Deus chama de verdade, experimenta a força de vontade do homem, mas no fim abre os caminhos. Afonso conseguiu finalmente dar prova de sua perseverança e de sua virtude e conseguiu coroar de êxito o seu sonho.

Foi recebido na Companhia de Jesus como irmão leigo e, depois do noviciado, foi enviado para o colégio de formação para os clérigos jesuítas em Palma, na ilha de Maiorca, onde ficou por 45 anos, isto é, até a morte.

No colégio, desempenhou o ofício de porteiro prestando-se a todos os demais serviços, os mais humildes e desprezíveis e com uma perfeição tal que se tornou modelo acabado de religioso.

Jesus, repetidamente, apelava à vontade do Pai, dizendo: “Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai que está nos céus”. Afonso adotou esta regra: “Agradar somente a Deus, cumprir sempre e em toda parte a vontade divina”.

A santidade é a soma de todas as virtudes vividas em grau heróico. No entanto, há sempre uma ou outra virtude que sobressai. A virtude predileta de Afonso era a obediência. Sabia ser um simples irmão leigo e aceitava, portanto, com amor toda ordem e desejo dos superiores, como se fosse a vontade expressa de Deus.

Outra virtude heróica de Afonso foi viver sempre na presença de Deus. Em seus manuscritos espirituais foi encontrada esta reflexão: “Como todas as plantas da terra recebem vida, cor, perfume e dão frutos pela força do sol, assim toda alma deve proceder sempre na presença de Deus a fim de que possa crescer e dar frutos de virtude e santidade”.

No colégio, onde estava Santo Afonso, passaram centenas de clérigos que receberam forte influência da sua espiritualidade. Entre estes, São Pedro Claver, a quem predisse o futuro apostolado na Colômbia. De fato, Pedro Claver conservou ciosamente umas máximas de espiritualidade ditadas por Afonso. Apesar de sua instrução primária, ele deixou escritos, simples na redação, mas profundos no conteúdo espiritual, e que foram editados em forma de pequenos tratados depois de sua morte. Estes escritos São verdadeiros vadi-mecum de ascética sobretudo para irmãos leigos consagrados a Deus. Os dons extraordinários de intuição sobrenatural de visões celestes, de previsão do futuro, fazem de Santo Afonso um grande místico.

Toda santidade passa pelo crisol dos sofrimentos. Afonso passou os últimos anos de sua longa existência padecendo pacientemente dores físicas que o prepararam para o encontro com Deus no desenlace definitivo que se deu no dia 31 de outubro de 1617, contando ele 84 anos de idade. Foi canonizado no fim do século passado junto com seu discípulo, São Pedro Claver, o grande apóstolo dos escravos.