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20 de Setembro Os Mártires Coreanos“Brilhe vossa luz perante os homens de modo que vendo vossas boas obras glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16). O primeiro e insubstituível fator de evangelização é o testemunho! Exemplo convincente desta verdade deu-se na implantação do cristianismo na Coréia em que a Igreja teve seu coroamento mais glorioso com a canonização de 103 mártires coreanos feita pelo Papa João Paulo II, em sua histórica visita a Seul em maio de 1984. Caso quase único é a penetração do Evangelho na Coréia, pois deu-se por iniciativa de apóstolos leigos. Uns letrados tinham recebido da China um livro do missionário Mateu Ricci com o título O verdadeiro sentido de Deus. Esta leitura despertou neles a sede de conhecer a doutrina cristã e encarregaram o filho do embaixador coreano na China de procurar-lhes mais outros documentos sobre a religião de Cristo. Yi Sung-Hun dirigiu-se ao Bispo de Pequim que pacientemente o catequizou e batizou. Voltando para a Coréia em 1784 o jovem cristão pôs-se a catequizar os amigos, tornando-se o primeiro missionário de sua pátria. Surgiu assim a primeira comunidade cristã da Coréia, cujos fiéis iam irradiando a fé de aldeia em aldeia e, embora num ambiente hostil, pela força do testemunho, conseguiram multiplicar-se em mais de dez mil no prazo de dez anos. Várias vezes solicitaram do Bispo de Pequim o envio de sacerdotes, mas sem resultado. Escreveram também ao Papa com acentos suplicantes para que enviasse um Bispo com padres, a fim de que organizassem a Igreja na vida cristã total, com hierarquia e administração dos sacramentos. “Que Vossa Santidade tenha compaixão de nós. Há dez anos que sofremos penas e aflições... Somos mais de dez mil que conhecem a Deus e não tivemos ainda a felicidade de termos um Bispo...” Roma era distante demais para os meios de comunicação daquele tempo, aliás o Papa estava sendo vítima da prepotência de Napoleão. Só trinta anos depois o Papa Leão XII atendeu a este apelo, pedindo à Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris que se encarregasse da Evangelização da Coréia, o que foi atendido cinco anos mais tarde, quando o Pe. Mauvant conseguiu entrar clandestinamente naquele país (1831). A Igreja da Coréia ao receber os primeiros padres já estava passando pelo fogo da perseguição, que começou em 1791 e continuou com intervalos, até 1866, deixando o saldo glorioso a cerca de dez mil mártires. Entre eles estão incluídos os 103 mártires canonizados por apresentarem testemunhas e notícias documentadas. Destes, o primeiro padre coreano, André Kim, morto em 1845, dez clérigos e 92 leigos. Foram conservados alguns depoimentos dos processos contra os mártires que testemunham uma admirável fidelidade a Cristo. Assim Teresa Kwon respondeu ao juiz que a induzia à apostasia: “Dado que o Senhor do céu é o pai de toda a humanidade e o Senhor de toda a criação, como podeis pedir-me para o trair? Se neste mundo aquele que trair o pai ou a mãe não é perdoado, com maior razão não posso nunca trair aquele que é o Pai de todos nós!”. Ágata Ti de 17 anos, quando a ela e ao irmão mais novo deram a falsa notícia de que seus pais tinham renegado a fé, respondeu: “Se os meus pais traíram ou não, é coisa deles. No que nos diz respeito, não podemos trair o Senhor do céu que sempre servimos”. Os mártires coreanos escreveram com sangue as primeiras páginas da história da Igreja da própria pátria, exemplo admirável do fruto do apostolado leigo e da graça de Deus. A eles se aplicam com toda razão as palavras do apologista Tertuliano que por volta do ano 200, escreveu: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Na data da canonização, bicentenária do início da evangelização da Coréia, esta nação contava com 1.400.000 católicos, 14 Dioceses, 1.200 sacerdotes, 3.500 religiosos e 4.500 catequistas. Que espetáculo de fé seria o mundo se todos os fiéis fossem apóstolos do Evangelho, como os primeiros cristãos na Coréia! “Quem não for apóstolo, se torna apóstata da própria fé”, dizia um autor. Palavras estas que nos questionam profundamente!
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