Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

 

21 de Outubro

As Bem-Aventuradas Maria Teresa e Úrsula Ledochowska

No mês missionário apraz-me incluir a memória de duas irmãs que se tornaram altamente beneméritas no campo da evangelização: são elas Maria Teresa e Úrsula Ledochowska.

Irmãs de sangue, mas muito mais irmãs na fé e consagração religiosa. Maria Teresa e Úrsula nasceram na Áustria da nobre família polonesa dos Ledochowska, respectivamente nos anos 1863 e 1865. Fé e amor à Igreja e à Pátria eram a mística de sua família e passaram a ser o ideal e a força de suas vidas, a inspiração profunda de suas múltiplas iniciativas apostólicas.

Sua família contou com homens de incontestável valor. Um tio paterno, Mieczyslaw, foi cardeal e primaz da Polônia e lutou energicamente em favor das liberdades religiosas e políticas de sua pátria. Por esta sua atitude foi perseguido e encarcerado. Passou seus últimos anos em Roma na chefia da Sagrada Congregação da Propagação da Fé. Um irmão, Wlodzimiers, foi por 27 anos Superior geral dos Padres Jesuítas.

Maria Teresa, mulher forte e de inteligência viva, formada em literatura e belas-artes, sentiu em 1885 o veemente apelo do Cardeal Lavigérie em favor da África e colocou-se generosamente a serviço das missões. Promoveu uma genial propaganda a fim de formar a opinião pública acerca do problema da África: evangelização, abolição da escravidão, elevação cultural e econômica dos povos africanos.

Fundou as revistas Eco da África e Negrizia, publicadas em dez línguas, inclusive em idiomas africanos. Promoveu a implantação de tipografias na África, concorrendo altamente à alfabetização das tribos indígenas. Tudo isso em vista de uma rápida evangelização.

Maria Teresa fundou o Sodalício de São Pedro Claver para as missões africanas, cujos membros são hoje conhecidos pelo nome de Religiosas Missionárias de São Pedro Claver. Esta instituição, que conta com vários milhares de membros, tem por finalidade elaborar ativamente no apostolado dos missionários na África, mediante a oração, as ofertas e a difusão de escritos de caráter religioso e outros subsídios.

Maria Teresa faleceu em Roma aos 6 de julho de 1922. Foi beatificada no Dia Mundial das Missões, 19 de outubro de 1975, em homenagem às suas benemerências na evangelização do Continente africano, que lhe mereceram o título honroso de “Mãe da África negra”.

Úrsula Ledochowska foi igualmente dotada de vigor intelectual e moral. Ingressou com 21 anos no convento das Ursulinas em Cracóvia. Dedicou-se à educação da juventude e a iniciativas de caráter pastoral. Em 1907, por sugestão do Papa Pio X, foi designada para o trabalho da educação e assistência das jovens estudantes de origem polonesa em Leningrado. Sete anos durou esta sua delicada tarefa, sendo em seguida afastada pela intolerância do governo russo em relação aos católicos. Viajou então pelos países escandinavos, onde empreendeu iniciativas apostólicas e ecumênicas em favor da minoria católica.

Discursava com muita habilidade, amor e inteligência para tornar conhecido, fora da Polônia, o direito desta de se tornar independente.

Em 1920 obteve a autorização do Papa para fundar uma nova família religiosa: a Congregação das Ursulinas do Coração de Jesus agonizante. Sua finalidade: ser um grupo eclesial capaz de servir dentro da sociedade que estava sujeita a rápidas transformações após a Primeira Guerra Mundial. Fundou o jornal Slóglimstar e traduziu para a língua finlandesa o catecismo católico.

Úrsula faleceu em Roma a 29 de maio de 1939, quando sua congregação já contava com 35 casas e 800 religiosas. Desde 1971 estas religiosas trabalham também no Brasil, tendo seu noviciado em Curitiba. Dedicam-se sobretudo ao ensino e educação das crianças e dos jovens da faixa mais pobre da sociedade. Madre Úrsula foi beatificada em 20 de junho de 1983, por ocasião da viagem de João Paulo II à Polônia.