Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

 

26 de Outubro

São Luís Orione

Em 26 de outubro de 1980, no esplendor da Basílica Vaticana, o santo Padre o Papa João Paulo II elevava à honra dos altares o bem-aventurado Luís Orione, humilde e pobre sacerdote que se ergue, no dizer do papa, como gigante apóstolo da caridade, pai dos pobres, benfeitor insigne da humanidade sofredora e aflita.

Este novo santo nasceu no norte da Itália em 1872. Ao sair da adolescência aspirava ser sacerdote. Entrou no Oratório salesiano em Turim ainda vivo o santo fundador, São João Bosco, que lhe dedicou grande estima e lhe lançou no coração a semente da futura vocação com esta frase de São Francisco de Sales que ele sempre repetia: “Um terno amor ao próximo é um dos maiores e excelentes dons que a Divina Providência pode conceder aos homens”.

Concluído o ginásio, deixou o Oratório salesiano e voltou para sua terra a fim de entrar, pouco depois, no seminário e cursar filosofia e teologia. Durante o currículo teológico lançou os alicerces de sua futura congregação com o lema paulino: “Renovar tudo em Cristo”. Formou-se sacerdote em 1895, dedicando-se com ardor à ação pastoral e desenvolvendo a incipiente obra em favor dos necessitados.

Luís Orione foi um destes homens sensibilíssimos aos sofrimentos da humanidade que se tornaram instrumentos dóceis nas mãos da Divina Providência para aliviar as misérias humanas. Assim foi São Vicente de Paulo no século XVI, assim foram no século passado São José Cottolengo e Luís Guanella. Com a finalidade de uma dedicação total aos pobres, aos trabalhadores humildes, aos doentes, aos necessitados e marginalizados pela sociedade, ele fundou uma congregação religiosa, a “Pequena Obra da Divina Providência”.

A semente, bem plantada por Luís Orione, logo floresceu e tornou-se uma grande árvore, espalhando raízes em diversos países. E para ampliar ainda mais a possibilidade de responder aos apelos dos necessitados, em 1915 deu início à família religiosa das Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade, confiando-lhes o serviço dos órfãos, enfermos, pobres e crianças abandonadas.

Em 1908, Luís Orione ajudou a socorrer as numerosas vítimas do terrível terremoto que sacudiu a região da Sicília e Calábria, na Itália. O grande escritor italiano Inácio Silone conta um episódio do qual foi testemunha: “Numa manhã cinzenta e gelada, depois de uma noite sem dormir, assisti a uma cena bem estranha. Um sacerdote baixinho, maltrapilho, caminhava entre os escombros do terremoto rodeado por uma multidão de crianças que ficaram sem família. Em vão, o humilde sacerdote perguntava se não existia meio de transporte que levasse aquelas crianças até Roma. A estrada de ferro estava interrompida e não existiam outros meios de transporte para viagem tão longa. Foi então que chegaram alguns carros. Era a comitiva do rei da Itália que visitava os municípios atingidos pela catástrofe. Logo que os ilustres personagens se afastaram, o padrezinho, sem pedir licença, começou a lotar um dos carros com as crianças que recolhera. Os guardas porém intervieram lutando com o pobre padre quase corpo a corpo, de tal modo que o fato chamou a atenção do rei. Um tanto amedrontado, o padre aproximou-se com o chapéu na mão e pediu ao rei que cedesse por algum tempo um carro a fim de levar as crianças órfãs até a estação mais próxima. Comovido, o rei deu seu consentimento. Este padrezinho era Luís Orione!”

As Congregações dos Filhos da Divina Providência e das Irmãs desenvolvem atividades em 16 países da Europa e da América. Possuem mais de trezentas casas ou instituições dos mais variados tipos, sobretudo no setor assistencial e educativo.

No ano 1914 chegaram ao Brasil convidados pelo arcebispo de Mariana. Mantêm várias casas de órfãos, de excepcionais, abrigos para velhos e hospitais. Cuidam inclusive da pastoral em diversas dioceses e têm a direção da prelazia de Tocantinópolis.

Luís Orione, humilde sacerdote, realizou obras admiráveis porque sentia a força da Providência Divina na qual depositava uma confiança ilimitada.

Faleceu consumido pelas fadigas em 1940, com 68 anos de idade. Sua elevação às honras dos altares é um reconhecimento oficial por parte da Igreja porque santidade é essencialmente caridade. Pois a intensidade do amor a Deus se mede pela intensidade do amor ao próximo.