Instituto Missionário dos Filhos e Filhas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e das Dores de Maria Santíssima

 

16 de Setembro

Santos Cornélio e Cipriano

A liturgia une estes dois santos contemporâneos que morreram mártires no mesmo dia, mas com diferença de cinco anos.

Cornélio foi papa nos anos 251-253. Durante seu pontificado surgiu um debate a propósito da conduta a seguir em relação àqueles que haviam renegado a fé durante a perseguição. Os partidários de Novaciano acusaram-no de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé (“lapsos”) e separaram-se da Igreja.

Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Cività-Vecchia, onde morreu. Foi sepultado no cemitério de São Calisto. São Cipriano dirigiu-lhe várias cartas confortando-o.

 São Cipriano

Mais numerosas são as notícias deste santo que emerge como uma das figuras mais empolgantes do século III.

Pertencia a uma das mais nobres e ricas famílias de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando ainda pagão, destacou-se como excelente advogado e mestre de retórica.

Sua conversão ao Cristianismo deu-se entre 35 a 40 anos de idade, comovido por observar a constância e serenidade dos mártires nas perseguições. A conversão modificou-o radicalmente. Decidiu praticar, sobretudo, as virtudes da caridade e da castidade. Fez voto de castidade e repartiu quase todos os bens entre os pobres.

O impacto social de sua conversão e de sua atitude foi enorme, dada sua fama anterior. Renunciou também a toda sua ciência profana, pois em seus escritos não cita nenhum dos autores pagãos que haviam alimentado seu pensamento até então.

Pouco tempo depois, foi ordenado sacerdote por sufrágio do clero e do povo e, ao morrer o bispo de Cartago, foi forçado a suceder-lhe no cargo.

Os anos de seu episcopado: 249-258, foram dos mais difíceis para a Igreja africana. Duas perseguições contra os cristãos, a de Décio e Valeriano, marcaram seu começo e seu fim e uma terrível peste grassou pelo norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

Quando em 249 o imperador Décio decretou a perseguição contra a Igreja, muitos católicos selaram a fé com o próprio sangue, outros, porém, fraquejaram. Não tardou que a perseguição chegasse a Cartago. Os pagãos reuniram-se no grande foro e, em altos e apaixonados gritos, exigiam a morte do bispo cristão, Cipriano. Este, em fervorosas orações, procurava conhecer a vontade de Deus. Para poupar o rebanho, embora desse preferência ao martírio, achou mais acertado seguir o conselho do Evangelho: “Se vos perseguirem numa cidade, procurai outra”. Do esconderijo pôde prestar grandes serviços à sua Igreja, exortando, consolando e animando os próprios fiéis.

Duas grandes questões disciplinares agitavam a Igreja naquele tempo e que ocasionaram escritos polêmicos: a primeira era a conduta a ser seguida em relação aos que nas ameaças e torturas da perseguição tinham fraquejado, apostatando. Eram chamados os “lapsos”. Em Roma, havia surgido uma corrente rigorosa chefiada por Novaciano, que recusava terminantemente a reconciliação dos apóstatas; na África um certo Felicíssimo seguia uma praxe diametralmente oposta. O Papa Cornélio era propenso à clemência, depois de salutar penitência. Cipriano teve que reagir contra Felicíssimo, inclinando-se por certo rigorismo, mais tarde mitigado por exigências pastorais.

A segunda controvérsia era relativa ao valor do batismo administrado por hereges. O papa, seguindo a tradição, reconhecia válido o batismo dos hereges, contanto que tivessem sido observadas as condições de matéria e forma.

Cipriano, que por formação tinha tido poucos contatos com a tradição, seguia uma lógica muito humana: “Não pode dar a fé, quem não a tem”. A questão ficou sem solução, devido às dificílimas complicações da perseguição, em vigor.

Com a morte de Cipriano, a tradição de Roma tomou pé também na África e assim continuou sempre através dos séculos.

No ano 258, a perseguição contra a Igreja recrudesceu: Cipriano foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo e martírio escritas por testemunhas presentes à morte e que são de uma franqueza comovedora. O procônsul o interrogou: “Tu és Tácio Cipriano?” O bispo respondeu: “Sim, sou”. “Tu viveste por muito tempo nesta sacrílega idéia e reuniste muitos homens na ímpia conspiração dos cristãos. Tu te fizeste inimigo dos deuses romanos. Por esta razão, com tua morte, serás uma advertência para aqueles que associaste a ti”. Dito isso, leu a sentença: “Tácio Cipriano seja degolado a espada”. O bispo Cipriano respondeu: “Graças a Deus!” Era o dia 14 de setembro do ano 258.

São Cipriano deixou-nos numerosos escritos doutrinais de grande importância. A coleção de suas 81 cartas é obra-prima da literatura latina e constitui preciosa fonte de informação sobre a vida eclesiástica daquele tempo.